29 de dezembro de 2011
Estamos entrando no ano 2012. Sites e canais de TV estão mostrando previsões assustadoras que várias culturas e religiões fizeram sobre este ano. Segundo o tal calendário antigo maia, no início do próximo verão, ao final de 2012, acontecerá um raro alinhamento planetário que trará distúrbios gravíssimos ao planeta Terra.
Também no cristianismo há ecos dessas predições fantásticas. Por mais que a exegese bíblica trabalhe arduamente e decodifique o livro do Apocalipse (em grego, “revelação”), provando que foi escrito de forma misteriosa para driblar a perseguição romana, muitos insistem em considerá-lo um oráculo cheio de pretensas adivinhações, e preferem interpretar seus símbolos como sendo descrições minuciosas dos terrores que afligirão a terra antes da vinda definitiva de Cristo.
Mateus, nos dois primeiros capítulos de seu Evangelho, recorre a gêneros literários fabulosos para introduzir a narrativa da vida de Jesus de Nazaré. No primeiro capítulo há uma genealogia bastante forçada, marcada por uma espécie de numerologia cabalística que tenta provar os 3 grupos de 14 gerações que vão de Abraão até Cristo. Em seguida, o evangelista apresenta mensagens passadas pelo anjo a José por meio de sonhos. No segundo capítulo, Mateus fala de magos que vêm do Oriente, guiados por um mapa astral que mete medo até no rei Herodes Magno. O trecho termina descrevendo um suposto exílio do pequeno Jesus no Egito, terra espiritualmente fascinante na literatura universal.
Se os magos seguiram a estrela e ela estava certa, estariam os cristãos autorizados pela Bíblia a crer nessas predições astrológicas sobre dezembro de 2012? O que há de científico e de mitológico na observação dos astros? Qual o limite entre astrologia e astronomia?
A intenção de Mateus não é fazer sincretismo religioso, mas colocar Jesus no centro equilibrador de todas as religiões conhecidas da época. Jesus, verdade absoluta, não é apenas um evento religioso limitado por uma etnia e uma época específicas, mas o marco por excelência na história da humanidade, o grande divisor de águas para o qual apontam todas as crenças, filosofias e ciências.
Jesus disse claramente: “Ficai de sobreaviso, vigiai, porque não sabeis quando será o tempo” (Mc 13,33). “Muitos virão em meu nome dizendo: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente!” (Lc 21,8). Portanto, se essas predições estiverem certas, Jesus estava errado. E vice-versa. Quem viver verá...
Uma aventura a mais
Acredito na força da comunicação. Acredito que o Evangelho pede para ser anunciado em todos os meios, em todos os veículos, em todos os espaços disponíveis à criatividade humana.
Por isso, estamos levando o programa "Aos pés do Senhor", uma vez por semana, da Rádio Diocesana para a TV.
Conto com sua audiência.
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